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Exposição homenageia legado de José de Almeida Araújo

21 Maio 2024
Pinturas e fotografias do multifacetado artista português José de Almeida Araújo, que faleceu no passado 8 de maio, pouco antes de celebrar um século de vida, estarão expostas no Centro Cultural de Cascais de 24 de maio a 23 de junho de 2024.

José de Almeida Araújo (1924 – 2024) assumiu diferentes perfis artísticos ao longo dos anos: foi ator (contracenou com Virgílio Ferreira no clássico "Ave de Arribação" de Armando Miranda e apareceu em "Au grand balcon", de Henri Decoin, que estreou no Festival de Cinema de Cannes em 1949), arquiteto (projetou, por exemplo, o hotel Vilalara Thalassa, no Algarve), escultor, pintor e fotógrafo. Editou e escreveu livros, como o "London, Remains of the '50s" e as suas memórias "A Vida aos Pedaços". Dizia "que as artes são todas primas entre elas". Em todas às que se dedicou, demonstrou incontornável talento.

Nos últimos meses de vida, Almeida Araújo chegou a estar envolvido na preparação da exposição que estará patente no Centro Cultural de Cascais até 23 de junho de 2024. A mostra "Almeida Araújo: Fotografia e Pintura" debruça-se sobre a sua obra pictórica e fotográfica. Na primeira parte, dedicada à pintura, são expostas 18 telas produzidas entre 1960 e 1994, entre retratos de familiares e amigos, e representações de paisagens portuguesas, francesas e brasileiras. Destaca-se a tela "Nureyev", um retrato de Rudolf Khametovich Nureyev, um dos mais celebrados bailarinos do século XX.

Quanto às fotografias, são registros do quotidiano de Londres numa Inglaterra dos anos 50 onde viveu, antes da Beatlemania e da efervescência cultural que traria os Swinging Sixties. As imagens, que foram antes publicadas no livro "London, Remains of the '50s", editado em 2013, registam cenas urbanas (como aquela em que a figura clássica do bobby dirige o trânsito) em diferentes horas do dia e estações do ano, revelando uma cumplicidade entre o fotógrafo e a cidade à sua volta. São retratos de pessoas anónimas na agitação das ruas, além de parques e edifícios da capital inglesa.

Fotografou também vultos da política e das artes como John F. Kennedy, Jeanne Moreau, Jean Cocteau e Roger Vadim.
Filho de um português e de uma alemã judia, José Harry de Almeida Araújo foi um criador cosmopolita que atravessou um século de aceleradas transformações. Cresceu junto da família materna, em Berlim, tendo escapado às perseguições nazis. A sua adolescência e primeira juventude foram vividas em Cascais. No pós-guerra, descontente com o cenário português da época, emigrou, primeiro para Paris e depois para Londres. Foi amigo de estrelas como Jean Simmons, Danielle Dellorme, Sacha Guitry e John Wayne, e privou com Le Corbusier – que como ele trabalhava à margem da Academia – e também com Picasso, Henri Salvador, André Malraux e Errol Flynn.

Foi o artista escolhido para pintar o topo da maior galeria do Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, onde também está "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci. Ali realizou a "Adoração da Cruz", uma grande pintura em óleo sobre madeira a medir 3,90 x 5m. Pintou ainda retratos de Winston Churchill e da Princesa Soraya do Irão. Depois de uma vida aventurosa e fulgurante, José de Almeida Araújo fixou-se, de novo, em Cascais, onde terminou os seus dias.

Mais informação: https://www.fundacaodomluis.pt/

Centro Cultural de Cascais
Avenida Rei Humberto II de Itália, Nº16, 2750-800 Cascais, Portugal
Abertura ao público: Terça-feira a domingo, das 10h às 18h (última entrada: 17h40)

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