O Centro Cultural de Cascais acolhe a exposição "Fotógrafo de Gentes e Pedras do Gerês Transmontano", dedicada à notável obra de Domingos Dias Martins. A mostra está patente ao público até 23 de agosto de 2026, constituindo uma oportunidade única para viajar no tempo e descobrir a memória de um território e de um modo de vida muito particulares.
Um olhar afetivo sobre o Gerês
Nascido a 9 de maio de 1919 no lugar da Cela, concelho de Montalegre, Domingos Dias Martins teve origens muito humildes. A sua vida mudou quando, em 1942, foi admitido no Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) em Lisboa, onde trabalhou durante 40 anos. Foi na capital, através do contacto com os fotógrafos do SPN e dos refugiados da 2.ª Guerra Mundial, que despertou para a paixão da fotografia.
Aproveitando as suas férias nas décadas de 1940 e 1950, o fotógrafo regressava às suas raízes e dedicava-se a registar, de forma sistemática e a preto e branco, a paisagem, as gentes, os labores e os costumes do Gerês transmontano.
Muito mais do que um passatempo
Apesar de ser uma prática assumidamente amadora, o trabalho de Domingos Dias Martins insere-se no campo da fotografia vernacular portuguesa e revela uma sensibilidade bastante intuitiva. As suas imagens destacam-se pela frontalidade dos retratos e por uma linguagem direta e despojada, quase ingénua, mas profundamente próxima e afetiva.
As fotografias de Domingos preservam fragmentos de uma cultura e de um tempo em lenta transformação. Mais do que o seu interesse fotográfico, a obra agora exposta em Cascais constitui uma coleção documental de inestimável valor humano, cultural, histórico e antropológico. Esta visão artística convida à valorização do património cultural imaterial português, perpetuando memórias que importa salvaguardar.
Centro Cultural de Cascais (Bairro dos Museus)
Para ver até 23 de agosto de 2026
Organização e Curadoria: João Miguel Barros, Luís Filipe Rocha e Francisco Teixeira da Mota, Fundação D. Luís com o apoio da Câmara Municipal de Cascais.














