Desejamos para possuir, para aparentar ou para ser? Será o desejo a verdadeira essência da vida - uma vontade vital e criadora - ou apenas o esforço incessante para preencher um vazio existencial? É com estas interrogações que o ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia desafia residentes e visitantes a mergulharem na sua 2.ª edição, dedicada inteiramente ao tema "Desejo".
A Filosofia na Rua: O Pulsar dos Bairros
O festival iniciou a sua jornada com uma forte marca de democratização cultural, provando que o "espanto" filosófico não conhece fronteiras geográficas ou sociais. Nos passados dias 13 e 14 de junho, o pensamento saiu das academias e ocupou o espaço público nos bairros Novo do Pinhal/Galiza, Cabeço de Mouro e Alcoitão.
Nestas sessões de proximidade, o diálogo fluiu entre o público e pensadores: David Erlich explorou a dualidade entre o desejo e a esperança, enquanto Inês Bolinhas provocou a audiência com a premissa "Desejo, Logo Existo?". Em Alcoitão, a reflexão de Sofia A. Carvalho sobre o "desejo insatisfeito" como uma arte da luta trouxe uma dimensão política e social ao debate. A comunidade respondeu não só com a palavra, mas com a arte local, destacando-se as atuações do grupo Tambóra Percussão, do Grupo de Dança da Ecoludoteca e da música de Bulo, que pontuaram estas manhãs e tardes de partilha.
Os Próximos Capítulos: Lições de Pensamento e Arte
A partir de 25 de junho, o festival retoma o fôlego nos grandes polos culturais de Cascais. O arranque faz-se no Centro Cultural de Cascais com o jantar-debate In Vino Veritas, onde Gonçalo M. Tavares e o filósofo homenageado desta edição, Viriato Soromenho-Marques, discutem se a filosofia se tornou "obsolescente" nesta era de grande aceleração.
O programa de 26 de junho promete ser um dos pontos altos da agenda cultural do ano:
Auditório do CCC: Recebe o conceituado Gilles Lipovetsky para dissecar o desejo de aparentar vs. o desejo de ser, seguido por Onésimo Teotónio Almeida, que nos conduzirá pelos trilhos de "Um Elétrico Chamado Desejo".
Cidadela de Cascais: À noite, na Sala Cisterna, o sociólogo francês Didier Eribon apresenta "O Enigma da Chegada", uma reflexão sobre classe e identidade social.
O Encerramento na Casa das Histórias
O fim de semana de 27 e 28 de junho reserva-se para a Casa das Histórias Paula Rego, cruzando a filosofia com a literatura e o teatro. Entre palestras sobre "Cronofeminismo" por Minna Salami e "Desejo Erótico" por Richard Shusterman, o público poderá assistir a excertos de Hamlet, encenados por Marco Medeiros.
Para além dos auditórios, os jardins da Casa das Histórias serão transformados em Ágoras de acesso livre, onde se poderá conversar informalmente com os filósofos ou participar em clubes de perguntas para os mais novos.
O encerramento oficial, a 28 de junho, ficará a cargo do homenageado Viriato Soromenho-Marques, com uma lição sobre os paradoxos do desejo entre a utopia e a distopia. Soromenho-Marques é reconhecido como um dos mais prestigiados pensadores portugueses contemporâneos, com um vasto trabalho nas áreas da filosofia política, ética e questões ambientais.
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